sábado, 28 de março de 2009

Aniversário em Madrid, com fotos :)

Acho que o longo tempo sem escrever já é uma tradição, então nem vou me justificar :)

Durante toda essa semana estive em Madrid, para trabalhar com um grupo de pesquisa em biodiversidade e mudanças climáticas. Apresentamos nosso primeiro projeto de pesquisa e recebemos muitas, muitas, muitas, muitas críticas, mas também muitos elogios pelo trabalho feito em tão pouco tempo (pouco mais de 1 mês). Voltamos de lá com muito mais trabalho a fazer, e bastante empolgados também.

Além das atividades de trabalho, pude reencontrar Thiago, um amigo que fez física na UFBA e agora faz o doutorado em Física na Universidade Politécnica de Madrid. Em 2007 tentamos a mesma bolsa de doutorado pela AECI, ele conseguiu e eu fiquei esperando um pouquinho mais (até agora :)). Foi muito bom reencontrar Thiago em Madrid, principalmente na semana de meu aniversário... estar com um amigo me fez muito bem :)

Na terça-feira (24.03) fui a sua casa, onde ele fez um "arroz de aniversário" pra mim. Estávamos eu, Thiago, Sílvia (que mora com Thiago e também é de Salvador e faz doutorado em Psicologia) e Frederico (um amigo de Thiago que é de Belo Horizonte e faz mestrado em Marketing).

Eu apagando o "fósforo" de 27 aninhos :)


Da esquerda pra direita: Thiago, eu, Silvia e Fred

Na quarta-feira Thiago me mostrou um pouco do centro histórico de Madrid, mas não tiramos fotos pra registrar. Fui na Plaza Maior, no Palácio do Rei e em algumas ruas do centro histórico. Como a gente trabalhava até as 06 da tarde não dava tempo de conhecer muita coisa, mas foi o mais próximo de uma atividade "turística" que eu já estive desde que cheguei aqui na Espanha.

Na quita-feira tivemos o grande dia: O Jantar Baiano! Thiago tinha dendê em casa, mas nunca tinha feito uma moqueca. Me prontifiquei a fazer uma moqueca-de-camarão-sem-sal e ele topou :) Silvia fez um feijão fradinho, o arroz e a farofa. Nesse dia Fred não estava, mas estava Mariana, uma mexicana que faz doutorado em Biologia e está no mesmo Museu onde eu fiquei trabalhando. Foi uma ótima noite, regada a música baiana (músicas do Olodum dos anos 80 e 90) e com direito a bandeira da Bahia e tudo o mais :)

Comida baiana: sem sal, mas com dendê! :)


Os três baianos! :)


Depois do dendê: eu, Thiago, Silvia e Mariana

No fim das contas, tive um aniversário mais alegre que pensei que teria. Apesar de ter trabalhado muito, pude relaxar também nessa semana. Faz um bem danado encontrar pessoas conhecidas e queridas, motivo pelo qual insisto em convidar a todos: VENHAM ME VISITAR!!!! :)

Beijos, abraços e saudades

Charles

quarta-feira, 11 de março de 2009

Canções inusitadas na Espanha

Antes de vir pra Espanha, Garcia tinha me contado algumas histórias de seu período de estudos de doutorado em La Corunha (Galícia/Espanha). Uma das que mais gostei foi a história de quando ele percebeu que era chegada a hora de voltar para o Brasil.

Ele disse que estava fazendo compras em um supermercado (o Carrefour, acho) quando começou a tocar nos auto-falantes uma música de Marisa Monte. Garcia gosta muito de Marisa Monte e disse que ao ouvir aquela música ficou tão emocionado, lembrou com tantas saudades da vida que tinha no Brasil que começou a chorar... era a hora de voltar pro Brasil!

Achei essa história bem bonita, a vida da gente é cheia de trilhas sonoras, muitas músicas nos fazem lembrar momentos bons ou ruins e, em alguns casos, podem nos motivar a tomar uma ou outra atitude... como voltar para o seu país de origem, por exemplo. Muitas vezes fiquei imaginando qual seria a trilha sonora que me faria tomar essa decisão, qual seria a trilha sonora que me faria lembrar do Brasil com uma saudade tão insuportável a ponto de voltar de imediato!

Nunca fui de ter ídolos na música, mas gosto muito de Raul Seixas, Bob Marley e Beatles (muitos dizem que tenho uma alma velha... que deveria ter nascido nos anos 60 ou 70 :))... gosto de ouvir forró também (ouvir, porque dançando eu ainda sou uma negação :)). Sempre pensei que se tivese que me emocionar ao ouvir uma música pra poder voltar pro Brasil então eu ficaria por aqui mesmo, porque acho que vai ser um pouco difícil ouvir Raul Seixas ou Luiz Gonzaga em qualquer lugar acima do Equador :) Mas, apesar de achar isso, tinha curiosidade de saber qual seria minha reação ao ouvir músicas brasileiras por aqui.

Nunca pensei qual cantor brasileiro deve fazer sucesso na Europa a ponto de ter suas músicas tocando em rádio ou em supermercados :) Só tenho notícia de um grupo que tocava lambada nos anos 80 e que fez muito sucesso por aqui, e de João Gilberto que é unanimidade intergalática (na verdade, unanimidade não porque eu não gosto :P). Nesses 41 dias confesso que tive algumas surpresas.

As primeiras músicas brasileiras que ouvi aqui foram durante o carnaval. Houve um desfile cívico na rua (parecido com o 7 de setembro). As comunidades dos povoados da ilha e dos imigrantes desfilavam fantasiados nas principais ruas, mostrando danças típicas. Algumas fantasias faziam críticas sociais, principalmente contra a crise... toda a cidade vai às ruas para assistir o desfile, muitos dos que estão assistindo também vão fantasiados. Um clima legal, bem diferente do carnaval de Salvador... nem melhor nem pior: diferente :)

Foram duas as músicas que ouvi nesse dia! A primeira foi durante um desfile de um grupo de jovens de Maiorca. E, para meu espanto, era nada mais nada menos que ILARIÊ, de Xuxa. E espanto maior ainda foi ver todo mundo nas ruas cantando a música (em espanhol, claro). Cheguei a pensar que Xuxa talvez tivesse feito uma paródia de uma música conhecida por aqui, mas estava com uns espanhóis que me disseram que eles conheciam a música cantada por Xuxa, a rubita de Brasil. Quem diria? :)

A segunda música estava tocando durante o desfile de uma comunidade russa. O pessoal desfilava simulando o exército ou algo assim. Tinham um tanque de guerra, um foguete, um monte de gente com armas de brinquedo, vestidas de soldado... e advinhem qual a música que estava tocando: uma de Carlinhos Brown, ou Carlitos Marrón, como dizem aqui :). Maria Caipirinha é o nome da música... agora o que ela tem a ver com a guerra só perguntando aos russos de Maiorca :). Por incrível que pareça, tinha menos gente cantando essa música do que cantando o ILARIÊ de Xuxa :)

Dias depois, estava em casa numa bela manhã de domingo, fazendo minha faxina semanal, quando escuto um som familiar, um sotaque conhecido e os inesquecíveis versos: "Segura o Tchan! Amarra o Tchan! Segura o Tchan-Tchan-Tchan-Tchan-Tchan!". Olhei na janela e vi um carro e seu condutor tranquilamente ouvindo É o Tchan. Simplesmente inacreditável!

Tão inacreditável quanto ouvir Roberto Carlos no ônibus que me levava ao trabalho! Isso mesmo! De manhã cedinho (às 09 da manhã, o que pra mim aqui tem sido de madrugada) estou eu no melhor do sono de buzú quando ouço Roberto Carlos cantando uma música que agora não lembro nem o nome nem a letra... mas não esqueço a melodia... estou assobiando agora mesmo, conseguem ouvir? :) Uma música que me lembra muito os domingos da minha infância, quando minha mãe colocava um milhão de músicas de Roberto pra tocar o dia todo :)

Hoje eu entendo Garcia! O que o fez emocionar não foi Marisa Monte, foi a música conhecida que Marisa Monte cantava! Dá pra perceber que a trilha sonora brasileira que tenho escutado aqui não é das mais atrativas (pelo menos pra mim), mas posso garantir que me emocionei com todas as músicas que ouvi, porque tenho histórias com todas elas (na verdade não me emocionei com a música do É o Tchan, mas dei muita risada :)). Foi bom lembrar da infância com as músicas de Xuxa e de Roberto Carlos, foi bom lembrar de Salvador e da batucada de Carlinhos Brown. E foi muito ruim querer compartilhar essas histórias e não ter com quem fazê-lo!

Desde quando estava no Brasil tinha certeza de que voltaria pra casa em 4 anos, sejam quais forem as condições! Acho bem difícil alguém que goste do Brasil (ou da cidade onde vive) morar na Europa por vontade própria, por algum motivo que não seja a necessidade, ou essas oportunidades de momento. E imagino que o mesmo deve valer pra qualquer pessoa do mundo que sai de seu habitat natural. Volto assim que acabar, com música ou sem música, mas certamente com lágrimas.

beijos, abraços e saudades,

Charles

Eita...

Até que enfim voltei a escrever!! :) Estes últimos (vários) dias não foram muito bons para escrever no blog, principalmente porque a internet que uso em casa é de vizinhos que 'gentilmente' deixam sua rede sem fio sem senha :) Mas não é sempre que o sinal está bom o suficiente para me conectar e seria uma situação um pouco 'inusitada' ir à casa de um desses vizinhos pra reclamar do sinal ruim :)

Tenho acesso à internet da Universidade, mas por lá os dias tem sido muito agitados e ao longo do texto vão entender o "porquê".

No começo de fevereiro, quando comecei a trabalhar com Alejandro, ele me passou um problema para que eu resolvesse de forma que ao longo da resolução do problema eu poderia estudar muitos dos conteúdos básicos necessários para meus trabalhos no doutorado. Tratava-se de simular computacionalmente um nicho ecológico com certas características que não vêm ao caso (quem quiser detalhes eu posso passar por email :)).

Me disse também que ele (Alejandro) iria para Madrid por 20 dias em março, para trabalhar com um professor no Museu de Ciências Naturais, mas que eu não iria com ele porque ainda não tinha um bom trabalho pra apresentar ao professor de Madrid e coisa e tal. Perguntei-lhe o que seria 'um bom trabalho' e ele disse: Se resolvesse esse problema que te passei seria um bom trabalho, mas eu sei que o tempo não é suficiente, então não se preocupe, não vão faltar oportunidades!

Desde que cheguei aqui tenho dito que nada é melhor para aliviar as saudades do que se dedicar muuuuuito ao trabalho! Encher a cabeça de coisas, manter-se ocupado por muito tempo é a melhor forma de minizar a falta de tanta gente e de tantas coisas. Pois bem, me joguei de com força no trabalho! E por isso meus dias no IMEDEA (Instituto onde trabalho) sempre foram tão cheios que raramente ficava de bobeira na internet.

Foram dias tão intensos que, pouco a pouco, o problema que Alejandro propôs começou a ser solucionado. E eis que nessa semana ele me disse que eu vou a Madrid por 4 dias, entre 23 e 26 de março, para apresentar o que fizemos até agora e para ouvir as críticas do professor (que é geógrafo e trabalha bastante com estudos de ecologia, cadeia alimentar e adjascências... )

Um bom presente de aniversário (24 de março eu apago 27 velas no bolo de chocolate :)) e um ótimo começo de trabalho. Fiquei feliz pela confiança de Alejandro e pelo retorno que tive pelas longas noites que passei diante do computador. Me senti fazendo um doutorado de uma vez por todas! :) E foi também por causa desse trabalho intensivo que estive ausente dos textos do blog por tanto tempo :)

No mais, por aqui as coisas melhoram pouco a pouco. O clima já está melhor (se fico no sol, sinto calor... mas na sombra o frio ainda é grande :)); já recebi minha carteira de identidade de estrangeiro; tenho carteiras de ônibus, metrô e trem; já recebi a primeira bolsa (VIVA! :)); ... só não tenho ainda internet em casa (apesar de ter feito o pedido há mais de uma semana, e estar esperando uma resposta de Madrid porque sou estrangeiro e todas essas coisas que eu já ouvi em um monte de lugar por aqui... enfim... há que se acostumar e ponto! :) )

Resolvi escrever hoje para dar sinal de vida e dizer que tá tudo bem, e também porque coloquei um contador no blog que me mostrou hoje que ele tem sido bem acessado nos últimos dias :)

Há que atualizar :)

Agradeço a visita, o interesse, o carinho, e em troca mando beijos e abraços, cheios de saudades :)

Charles