oi povo, como estão? Agradeço as mensagens de preocupação, agradeço os bons pensamentos... não parem que está dando certo! :)
Bom, a coisa mais importante que quero dizer nesse email é: não assistam os noticiários! NÃO ASSISTAM!! Porque nos noticiários eles não colocam notícias de lugares onde as coisas estão bem, colocam sim notícias de onde há mais problemas... todos sabemos que sempre foi e sempre será assim. A dor e a miséria trazem audiência... nenhuma emissora de tv vai a uma localidade onde não houve estragos se há tantos lugares cheios de problemas.
Eu estou em Santiago, num bairro chamado San Miguel. Estou na casa do pai de um companheiro do mestrado da Espanha (Antonio). É uma família encantadora, gente tranquila e alegre, muito receptiva, e muito acostumada a superar momentos como este. O pai de Antonio tem 80 anos, é bombeiro e ainda trabalha na coorporação na parte administrativa. Tem uma energia e uma tranquilidade admiráveis. Já presenciou pelo menos 5 grandes terremotos em sua vida, entre eles o de 1960, o maior já registrado na história. Ele nos passa uma confiança incrível, sabe exatamente todos os procedimentos a tomar em caso de réplicas e conduz a todos do prédio (um prédio pequeno, com apenas 4 andares). Sempre há alguém perguntando "Sr. Antonio, que devo fazer?" e ele sempre tem uma resposta precisa e tranquilizadora. Ele me convidou a ficar aqui em sua casa durante todo o tempo que permanecer no Chile, e eu fiquei muito feliz com isso! :)
Aqui no bairro de San Miguel não houve nenhum dano. Ontem saímos de carro para observar a região e não encontramos nenhum prédio com problemas. Nosso prédio em particular está em perfeita ordem, sem nenhuma rachadura interna ou externa. Sempre que há pequenos tremores nos posicionamos num pátio grande que há abaixo, longe de paredes e de postes. Estes pequenos tremores são frequentes e é bom que aconteçam: é durante os pequenos tremores que a terra se "acomoda", volta a uma posição de equilíbrio. Se não houvessem esses pequenos tremores a volta ao equilíbrio poderia ser com um tremor mais forte, a réplica que todos temem.
Até ontem não tínhamos eletricidade, e por isso estávamos muito distantes de todas as notícias. Sabíamos pelo rádio (a pilha) que havia problemas na região do epicentro e que havia risco de tsunamis em pequenas ilhas vizinhas, mas não tínhamos imagens da tragédia. Com a eletricidade veio a televisão e pudemos ver o estrago e a dor que existe em muitas regiões do país... Não tínhamos idéia de nada disso porque na região em que estamos não houve nenhum estrago, como disse. O Epicentro foi em Concepción, uma cidade há mais de 300 km de distância. Além da distância, Concepción é uma cidade mais pobre, as construções são frágeis, ao contrário de Santiago. Isso fez com que as consequências ali fossem tão desastrosas. É o mesmo que falava sobre a relação Chile x Haiti. Santiago tem outra estrutura, e por isso os problemas foram muito menores, e se concentraram em edifícios mais altos ou mais antigos. O prédio onde vivo é mais novo (tem uns 5 a 10 anos de construído).
Aqui temos água, eletricidade, telefone, e agora temos até internet sem fio que utilizamos dos vizinhos hehehe :) As pessoas já estão trabalhando normalmente e inclusive já contactei com o professor da Universidade, que está bem e me garantiu que posso ir ao campus amanhã para começar as atividades (ele já está no campus, arrumando a bagunça da sua sala :)). Vou conversar honestamente com ele para ver o que farei, mas de qualquer maneira o aeroporto está fechado até a sexta-feira e pegar estradas é ainda mais perigoso que ficar aqui (não vamos esquecer que existe uma cordilheira imensa para atravessar até chegar ao Brasil hehehe :)). Decidirei tranquilo o que achar que for melhor para mim e para os meus. Não quero que ninguém fique preocupado demais, problemas de coração trazem tantos ou mais problemas que os terremotos :)
Essas boas notícias não significam que esquecemos a dor que vive o povo chileno, a distância que mantenho das notícias não significa que não me importo com a situação que vivem milhões de pessoas, mas sim que para superar as dificuldades que vivemos aqui creio que é melhor levar o dia-a-dia com um mínimo de alegria, paciência e paz... é impossível esquecer a tragédia porque a terra e a lembrança não deixam, mas temos que levar a vida adiante. Como sei que as únicas notícias que vocês têm é através da mídia, peço que esqueçam os noticiários e acreditem em mim. Para pensar pelo bem das famílias que sofrem com essa tragédia não precisamos ver as imagens. E se por um acaso virem essas imagens, saibam que não estou em nenhuma região coberta pela mídia, muito pelo contrário, estou distante uns 300 ou 400 km, a depender da região que falam. E mesmo as notícias sobre Santiago dão conta de regiões mais periféricas, pra variar, onde as pessoas sofrem mais... e eu estou numa zona de classe média alta.
Meus queridos, é isso que tenho a dizer. Muito obrigado pelos bons pensamentos, sigamos adiante! Se tivesse uma máquina fotográfica enviaria fotos da casa e do prédio, para comprovar o que digo. Enquanto não consigo isso, creiam que não estou mentindo. Como diz um amigo meu, nos próximos dias é melhor que "desliguem a tv e leiam um livro" :) (vejam quem está falando de ler livro hehehe :)).
Pensem no lado positivo, posso colocar no meu currículo um dado que poucas pessoas têm: "Sobrevivi a um terremoto de 8,8 pontos na escala Richter"... isso há de fazer diferença quando tentar um emprego numa universidade :)
Muitos beijos, abraços, bons pensamentos... estou bem e não vejo a hora de reencontrálos. AMO VOCÊS, e essa experiência só reafirma muitos dos valores que eu tinha, além de trazer muitos outros novos valores...
Bom, a coisa mais importante que quero dizer nesse email é: não assistam os noticiários! NÃO ASSISTAM!! Porque nos noticiários eles não colocam notícias de lugares onde as coisas estão bem, colocam sim notícias de onde há mais problemas... todos sabemos que sempre foi e sempre será assim. A dor e a miséria trazem audiência... nenhuma emissora de tv vai a uma localidade onde não houve estragos se há tantos lugares cheios de problemas.
Eu estou em Santiago, num bairro chamado San Miguel. Estou na casa do pai de um companheiro do mestrado da Espanha (Antonio). É uma família encantadora, gente tranquila e alegre, muito receptiva, e muito acostumada a superar momentos como este. O pai de Antonio tem 80 anos, é bombeiro e ainda trabalha na coorporação na parte administrativa. Tem uma energia e uma tranquilidade admiráveis. Já presenciou pelo menos 5 grandes terremotos em sua vida, entre eles o de 1960, o maior já registrado na história. Ele nos passa uma confiança incrível, sabe exatamente todos os procedimentos a tomar em caso de réplicas e conduz a todos do prédio (um prédio pequeno, com apenas 4 andares). Sempre há alguém perguntando "Sr. Antonio, que devo fazer?" e ele sempre tem uma resposta precisa e tranquilizadora. Ele me convidou a ficar aqui em sua casa durante todo o tempo que permanecer no Chile, e eu fiquei muito feliz com isso! :)
Aqui no bairro de San Miguel não houve nenhum dano. Ontem saímos de carro para observar a região e não encontramos nenhum prédio com problemas. Nosso prédio em particular está em perfeita ordem, sem nenhuma rachadura interna ou externa. Sempre que há pequenos tremores nos posicionamos num pátio grande que há abaixo, longe de paredes e de postes. Estes pequenos tremores são frequentes e é bom que aconteçam: é durante os pequenos tremores que a terra se "acomoda", volta a uma posição de equilíbrio. Se não houvessem esses pequenos tremores a volta ao equilíbrio poderia ser com um tremor mais forte, a réplica que todos temem.
Até ontem não tínhamos eletricidade, e por isso estávamos muito distantes de todas as notícias. Sabíamos pelo rádio (a pilha) que havia problemas na região do epicentro e que havia risco de tsunamis em pequenas ilhas vizinhas, mas não tínhamos imagens da tragédia. Com a eletricidade veio a televisão e pudemos ver o estrago e a dor que existe em muitas regiões do país... Não tínhamos idéia de nada disso porque na região em que estamos não houve nenhum estrago, como disse. O Epicentro foi em Concepción, uma cidade há mais de 300 km de distância. Além da distância, Concepción é uma cidade mais pobre, as construções são frágeis, ao contrário de Santiago. Isso fez com que as consequências ali fossem tão desastrosas. É o mesmo que falava sobre a relação Chile x Haiti. Santiago tem outra estrutura, e por isso os problemas foram muito menores, e se concentraram em edifícios mais altos ou mais antigos. O prédio onde vivo é mais novo (tem uns 5 a 10 anos de construído).
Aqui temos água, eletricidade, telefone, e agora temos até internet sem fio que utilizamos dos vizinhos hehehe :) As pessoas já estão trabalhando normalmente e inclusive já contactei com o professor da Universidade, que está bem e me garantiu que posso ir ao campus amanhã para começar as atividades (ele já está no campus, arrumando a bagunça da sua sala :)). Vou conversar honestamente com ele para ver o que farei, mas de qualquer maneira o aeroporto está fechado até a sexta-feira e pegar estradas é ainda mais perigoso que ficar aqui (não vamos esquecer que existe uma cordilheira imensa para atravessar até chegar ao Brasil hehehe :)). Decidirei tranquilo o que achar que for melhor para mim e para os meus. Não quero que ninguém fique preocupado demais, problemas de coração trazem tantos ou mais problemas que os terremotos :)
Essas boas notícias não significam que esquecemos a dor que vive o povo chileno, a distância que mantenho das notícias não significa que não me importo com a situação que vivem milhões de pessoas, mas sim que para superar as dificuldades que vivemos aqui creio que é melhor levar o dia-a-dia com um mínimo de alegria, paciência e paz... é impossível esquecer a tragédia porque a terra e a lembrança não deixam, mas temos que levar a vida adiante. Como sei que as únicas notícias que vocês têm é através da mídia, peço que esqueçam os noticiários e acreditem em mim. Para pensar pelo bem das famílias que sofrem com essa tragédia não precisamos ver as imagens. E se por um acaso virem essas imagens, saibam que não estou em nenhuma região coberta pela mídia, muito pelo contrário, estou distante uns 300 ou 400 km, a depender da região que falam. E mesmo as notícias sobre Santiago dão conta de regiões mais periféricas, pra variar, onde as pessoas sofrem mais... e eu estou numa zona de classe média alta.
Meus queridos, é isso que tenho a dizer. Muito obrigado pelos bons pensamentos, sigamos adiante! Se tivesse uma máquina fotográfica enviaria fotos da casa e do prédio, para comprovar o que digo. Enquanto não consigo isso, creiam que não estou mentindo. Como diz um amigo meu, nos próximos dias é melhor que "desliguem a tv e leiam um livro" :) (vejam quem está falando de ler livro hehehe :)).
Pensem no lado positivo, posso colocar no meu currículo um dado que poucas pessoas têm: "Sobrevivi a um terremoto de 8,8 pontos na escala Richter"... isso há de fazer diferença quando tentar um emprego numa universidade :)
Muitos beijos, abraços, bons pensamentos... estou bem e não vejo a hora de reencontrálos. AMO VOCÊS, e essa experiência só reafirma muitos dos valores que eu tinha, além de trazer muitos outros novos valores...
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